Introdução Alimentar e Seletividade Alimentar

Construir hábitos saudáveis desde o início

A alimentação é uma das bases do crescimento e desenvolvimento infantil. Desde os primeiros meses de vida, as experiências alimentares moldam não apenas as preferências de sabor (programação de sabores) e a saúde no presente e no futuro (programação metabólica), como também a relação com os alimentos.

A consulta de nutrição pediátrica tem um papel fundamental neste processo – orientado famílias, prevenindo dificuldades e promovendo uma alimentação diversificada, equilibrada e com prazer.

Introdução alimentar: um marco no desenvolvimento

A introdução alimentar é o momento em que o bebé começa a conhecer novos sabores, texturas e aromas, complementando o leite materno ou o leite de fórmula.

Este passo deve ser feito de forma gradual, segura e respeitosa, tendo em conta:

  • Os sinais de prontidão do bebé;
  • As necessidades nutricionais do bebé;
  • A maturidade do sistema digestivo;
  • O desenvolvimento motor e sensorial;
  • A rotina familiar.

Na consulta, os pais e cuidadores são orientados sobre:

  • Quando e como começar a Introdução Alimentar;
  • Quais os métodos que existem e qual se adequa à família;
  • Alimentos a oferecer e a não oferecer durante o 1º ano de vida;
  • Número de refeições e quantidades que o bebé deve comer;
  • Como conduzir a introdução alimentar em segurança, não oferecendo alimentos com potencial de engasgamento;
  • Qual a textura que devem ter os alimentos em cada fase de desenvolvimento e como fazer essa evolução;
  • Como fazer a introdução dos alergénios em segurança antes dos 12 meses
  • Boas práticas na introdução dos alimentos, de forma a despertar o interesse do bebé nos alimentos e incentivar a sua exploração.

Uma orientação adequada ajuda a prevenir alergias, rejeições alimentares e carências nutricionais, além de favorecer uma relação positiva com a comida desde cedo.

Seletividade alimentar: quando comer se torna um desafio

Alguns bebés e crianças tornam-se muito restritivos nas suas escolhas alimentares, recusando certos grupos de alimentos (como frutas, legumes ou carnes), voltando sempre para os seus alimentos de conforto, e tornando a hora da refeição um verdadeiro desafio.

A seletividade alimentar pode ter diferentes causas — sensoriais, orgânicas, dietéticas, motoras, emocionais ou comportamentais/emocionais — e, se persistir, pode comprometer o crescimento, a nutrição, o convívio social da criança e o ambiente familiar.

Sinais de alerta incluem:

  • Recusa constante de novos alimentos;
  • Limitação extrema dos alimentos que consome, comendo sempre os mesmos. (poucos alimentos aceites e eliminação de grupos alimentares);
  • Reações de ansiedade ou desconforto à hora da refeição(choro, gritos, não querer estar à mesa, fugir…);
  • Dificuldade em comer fora de casa ou em grupo (afetando rotina da criança e família).

O papel da nutrição pediátrica

Na consulta de nutrição pediátrica, o acompanhamento é personalizado. A nutricionista avalia:

  • Causa da Seletividade alimentar;
  • Estado nutricional e o crescimento;
  • Alimentos que aceita e recusa;
  • Particularidades em relação aos alimentos (textura, cor, cheiro, temperatura);
  • Rotina Alimentar e Hábitos;
  • Carências Nutricionais
  • Necessidade de Suplementação;
  • Ambiente em que decorre a refeição;
  • Necessidade de encaminhar para outras especialidades (Pediatria, Terapia da Fala, Gastroenterologista, Terapia Ocupacional…).

Depois dessa avaliação, é definido o plano de intervenção que conta com:

  • Suplementação ou enriquecimento dos alimentos que aceita;
  • Plano alimentar de “esticamento” com base no que o bebé/criança aceita;
  • Ajustes na Rotina;
  • Diminuição da tensão e ansiedade à mesa;
  • Terapia alimentar com a criança (exposição através do lúdico);
  • Suporte aos pais e cuidadores com estratégias práticas de como oferecer os alimentos.

Com paciência, acolhimento e orientação adequada, é possível melhorar (e muito!) a relação do bebé/criança com a comida.

Educação Alimentar Infantil e Juvenil

A alimentação é crucial para um bom desenvolvimento e crescimento, mas também para a saúde (do presente e do futuro) e para o bem-estar físico e mental, da criança e do adolescente.

Nas consultas de Educação Alimentar, pretende-se fazer uma reeducação alimentar da criança/jovem e família, de forma a se alcançarem os objetivos propostos na avaliação.

A quem se destina? Criança e jovens com:

  • Obesidade
  • Excesso de peso
  • Magreza
  • Alergias alimentares
  • Vontade de melhorar a sua alimentação.

Nesta consulta, em que a criança/jovem é protagonista das suas mudanças alimentares, são elaborados planos alimentares à medida, tendo em consideração as características individuais de cada um, e dando apoio à família para ajudar na obtenção dos objetivos propostos. Esta consulta é muito prática e pretende dar conhecimento à família e à criança/jovem na alimentação, de forma a poder realizar escolhas adequadas, garantir um crescimento e desenvolvimento adequados, prevenir doenças e promover uma relação positiva com a comida.

A metodologia da consulta alimentar conta com:

  • Avaliação do peso e crescimento;
  • Elaboração de planos alimentares personalizados;
  • Apoio e suporte à família com estratégias e materiais de apoio (receitas, tabelas de motivação, lista de compras…);
  • Sessões de Educação Alimentar – Rótulos Alimentares, Semáforo dos alimentos, Composição do prato e porções, Roda dos Alimentos, Açúcar escondido nos alimentos, entre outros temas.

Na nossa unidade de saúde acompanhamos bebés, crianças, jovens e famílias em todas as fases da alimentação. O nosso objetivo é a promoção do seu crescimento saudável, com todos os nutrientes que necessitam em cada fase, mas também que sejam confiantes e felizes à mesa!